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6 de abril de 2010

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Contando história.

No meu último post falei a respeito da criação da primeira empresa formal de desenvolvimento de jogos de vídeo game e consoles de vídeo game, a Atari. Descrevi brevemente a história de Nolan Bushnell e seu amigo Al Alcorn, chegando ao ápice na venda da Atari para a Warner e a posterior queda no mercado de games norte-americano. Introduzi a vocês a Activision, empresa originada das mentes brilhantes de ex-engenheiros da Atari, dentre os quais estava David Crane, criador do lendário Pitfall (acho que vou ter que iniciar uma outra série de artigos apenas para contar a história dos jogos, mostrando sua importância e principais inovações a partir de um ponto de vista mais técnico, que acham?). Interrompi nossa conversa em 1984, ano em que a Warner vendeu a Atari.

Hanafuda

Cartas de Hanafuda

Enquanto empresas de fundo de quintal se degladiavam nos Estados Unidos pelos trocados que estavam valendo os cartuchos, do outro lado do mundo, a mais antiga empresa de jogos – de cartas – dava seus primeiros passos rumo ao sucesso insuperável da atualidade, a Nintendou Kabushiki Gaisha. Sim, para quem não sabe, a Nintendo iniciou suas atividades vendendo jogos de cartas artesanais – o nome do jogo é Hanafuda e se alguém tiver mais informações a respeito dele, ficarei grato em recebê-las por email ;-) . Em 1950, a Nintendo chegou a fabricar cartas com os personagens da Disney que eram revendidas no mundo todo, mas os negócios não iam bem. Tentou-se de tudo por lá: tentaram vender arroz instantâneo (parecidos com os macarrões instantâneos que temos hoje), construiram móteis, montaram uma rede de televisão, etc. Infelizmente ou felizmente (uma vez que graças ao insucesso delas que temos hoje uma das empresas mais criativas do mercado de games) tais ações quase levaram a Nintendo a falência, ainda mais considerando que a empresa enfrentava concorrentes como a Bandai, que desde 1950 produzia brinquedos de altíssima qualidade e que no início de 1980 passara a investir em brinquedos eletrônicos. Por sorte a diretoria da Nintendo deu a Shigeru Miyamoto a chance de criar um produto que pudesse fazer frente às grandes empresas internacionalmente.

Mario

Mario

Miyamoto não só criou a tábua de salvação da Nintendo, como também o responsável indireto por reaquecer as vendas de consoles e cartuchos no decadente mercado estadunidense. Em 1981 ele cria um jogo cujo personagem principal (que dá título ao jogo) era nada mais nada menos que o famoso Donkey Kong. Na época era um gorila malvado que raptava a linda namorada de um marceneiro. Sim, Mario – na época Jumpmam, uma alusão ao ambiente do jogo recheado de plataformas nas quais o personagem pulava, “jump” do inglês – era um marceneiro. Ele só virou encanador nas versões seguintes quando se tornou o personagem principal de uma das séries de maior sucesso da empresa e passou a combater inimigos que saiam de canos. Para quem nunca jogou, o primeiro Donkey Kong é um jogo de plataforma, de tela estática, que possui um macaco com uma “princesa” no topo da tela e diversos caminhos “suspensos”. Conforme o jogador vai progredindo fase acima, o macaco lança barris para atrapalhar o caminho.

A Lenda de Zelda

A Lenda de Zelda

Com o sucesso do Donkey Kong – que foi originalmente produzido para Arcades – e o posterior sucesso de seus sucessores (Donkey Kong Jr – neste jogo Donkey Kong Jr deve resgatar o pai do malvado Mario – e Mario Bros – primeiro jogo em que aparece o irmão do Mario, o Luigi) a empresa decide investir na produção de consoles. Em 1983 lança, no Japão, o Famicom (Family Computer). O console foi lançado nos Estados Unidos em 1985 e foi responsável por trazer esperanças às produtoras de jogos da época. Foi renomeado para NES (Nintendo Entertainment System) atendendo ao departamento de marketing que não achou o primeiro nome muito sugestivo (nem eu). Aliás, antes que eu esqueça, Nintendo, segundo a tradução literal, significa “Deixe o destino para o céu” (“Leave luck to heaven”) e parece que o “céu” tem sido generoso com a Nintendo (esqueci de citar no primeiro post, mas Atari é uma palavra utilizada no Go, um jogo de tabuleiro japônes, quando você vai atacar um inimigo, parecida com o “cheque” do xadrez). A venda do NES nos Estados Unidos foi iniciada com 50 mil unidades que se esgotaram em pouco tempo. Uma nova remessa só foi enviada no início de 1986, praticamente no mesmo período em que Miyamoto lança sua obra prima: A Lenda de Zelda. Este é considerado um dos melhores jogos de todos os tempos pela emoção que consegue despertar nos jogadores, determinada pelo crescimento emocional do personagem principal do jogo, o Link. Como podemos perceber, o grande diferencial que Shigeru levou para a Nintendo foi a produção de jogos com histórias coerentes e personagens cativantes (isso me lembra que pulei o PacMan, que talvez possa ser considerado o primeiro personagem do mundo dos jogos).

Em 1986 a Nintendo passa a enfrentar uma nova concorrente: a Sega. A origem da empresa é tão curiosa quanto de sua principal concorrente. Foi fundada no Havaí em meados da década de 40 e transferida para o Japão por volta de 1950 com o objetivo de exportar obras de arte. Mais tarde passou a fabricar arcades que eram exportados para a Europa e América do Norte contendo os mais diversos títulos. A empresa também foi afetada pela crise que assolou o mercado dos jogos em 1983, mas conseguiu se reerguer quando lançou noSonic Japão o Sega Master System. Podemos perceber, nesse momento, que o eixo de produção de tecnologia para o mercado do entretenimento se transferiu para o Oriente. Seguindo as dicas de sucesso de Miyamoto (isso é apenas uma dedução), a Sega cria um jogo fantástico com um personagem cativante: Alex Kidd (ele nadava!!!). Mas a história da Sega fica mais interessante em 1991, quando lançam um jogo espetacular: o Sonic. Um porco-espinho de caráter duvidoso que enfrenta um cientista maluco que está tentando dominar o mundo, o Doutor Ivo Julius Robotnik, também conhecido como Eggman. Acredito que a grande maioria de vocês conheça esse personagem azul-hiper-sônico, então vou poupar maiores apresentações.

Por hoje vou ficando por aqui. Espero que tenham gostado de mais este capítulo da história que construiu o mundo que temos hoje, afinal os vídeo games influenciram – e continuam influenciando – gerações (não tanto quanto o Rock N’ Roll, mas dá pro gasto :-P ).

Mais uma coisa, vocês gostariam que eu escrevesse a respeito dos jogos especificamente (falar sobre o enredo dos jogos e suas inovações tecnológicas e talvez alguns trechos de códigos e métodos utilizados para solucionar diversos problemas e desafios encontrados)?

Grande abraço a todos!

Dúvidas, sugestões e reclamações – raphaelbaldi@raphaelbaldi.com.

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